Harry Lamott Crowl, Jr. . Compositor, musicólogo, professor. Belo Horizonte MG 06/10/1958. Estudou violino com José de Mattos e matérias teóricas na escola da Fundação Clóvis Salgado (Palácio das Artes), em Belo Horizonte. Em 1977 foi para os EUA, onde estudou viola na Westport School of Music, Westport, Conn., e composição com Charles Jones, na Juilliard School of Music. Após seu regresso ao Brasil, em 1980, foi violista na orquestra jovem experimental da Fundação Clóvis Salgado, prosseguindo seus estudos de composição com Rufo Herrera e Willy Correia de Oliveira. Em 1981, apresentou no 14º Festival de Inverno da UFMG, em Diamantina MG, a Sonata para piano (1979), revisada em 1984 (Sonata I), Ária (1981) para flauta solo, Sanatório (1980), sobre poema de Ascânio Lopes, para voz e instrumentos e, Sio2 (1981) para piano, clarineta, flautas e orquestra de câmera. Em 1982, trabalhou no Iraque como intéprete de inglês para uma empresa de engenharia brasileira. De volta ao Brasil em 1983, foi residir em Brasília DF, onde foi violista da Orquestra Sinfônica de Brasília (FOSB).
A partir de 1984, passa a residir em Ouro Preto MG, onde desenvolve um trabalho de pesquisa musicológica sobre os compositores mineiros do período colonial, a convite do então Instituto de Artes e Cultura, da Universidade Federal de Ouro Preto.
Neste período, que durou até 1994, foi responsável pela descoberta da Abertura em Ré maior, do Pe. João de Deus de Castro Lobo (Vila Rica, 1794 - Mariana, 1832), de obras do compositor José Rodrigues Domingues de Meireles (Vila de Nsa. Sra.da Piedade, atual Pitangui, MG, sec. XVIII?XIX), e pela reconstituição de várias obras de Ignácio Parreiras Neves (V. Rica, ca. 1730-1794?), Jerônimo de Souza Queiróz (V. Rica, sec. XVIII - 1826?), José Rodrigues de Meireles, Pe. João de Deus de Castro Lobo, Francisco Gomes da Rocha (V. Rica, 1754? - 1808) e Francisco Barreto Falcão (Vila Real de Nsa. Sra. do Sabarábussú, atual Sabará MG, Sec.XVIII - XIX.
Em 1986 foi indicado para ser o coordenador do curso de música do IAC/UFOP, e participou da organização do 1º Seminário de Música Instrumental Brasileira.
Embora a sua atividade como compositor tenha diminuido nesta fase, a criação nunca deixou de ser a sua atividade principal. Em 1985, o seu Concerto par flautas e orquestra de câmara (1983), foi estreado no Teatro Nacional de Brasília, por Odette Ernest Dias e pela Orquestra Sinfônica do teatro Nacional, sob a regência de Jorge Antunes.
Em 1987, a sua obra Memento Mori, oratório sobre textos de Affonso Ávila, foi apresentado em várias ocasiões pela então Camerata Philharmonia, de Niterói RJ, sob a regência de Sérgio Dias, inclusive no Panorama da Música Brasileira Atual, da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e na VIIª Bienal sobre Música Contemporânea Brasileira. Em 1988, realizou conferências sobre música colonial brasileira na University of Texas at Austin, EUA, a convite do Prof. Dr. Gerard Behague. Ainda neste ano, sua obra Canticae et Diverbia (1988) para flautas, clarinetas, violino, violoncelo e piano, foi encomendada e executada várias vezes pelo grupo Novo Horizonte, que era fundado naquele momento, em São Paulo, por iniciativa do regente Graham Griffiths.
Em 1989, esteve em Santiago do Chile, a convite da "Agupación Musical Anacrusa", para participar do 3º Encontro de Compositores Latinoamericanos, onde a obra Sabra (1983) para oboé e piano, foi estreada e ainda, proferiu várias conferências sobre música brasileira do sec. XX e do período colonial Na VIIIª Bienal de Música Brasileira Contemporânea, o seu Concerto para Violino, 12 instrumentistas e soprano (1988), foi estreado por Hariton Nathanailidis, violino e pela Camerata Philharmonia de Niterói, sob a regência de Sérgio Dias, com a participação da soprano Lucila Tragtenberg. Em 1990 recebeu a encomenda da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, para compor a Sinfonia nº 1(Concerto Harmônico), para a banda sinfônica do estado de São Paulo, que foi por esta estreada sob a regência de Roberto Farias, no Memorial da América Latina, em 1992 e posteriormente, na Xª Bienal de Música Contemporânea Brasileira. Em 1991 organizou a Mostra de Música Contemporânea de Ouro Preto, música brasileira onde foram apresentadas obras de vários compositores jovens em primeira audição mundial.Em 1992, a Aluminium Sonata (1985) para violino e piano, foi apresentada nas cidades alemãs de Bonn e Colônia por Ricardo Gianneti e Talitha Maria Cardoso Peres. Em 1993, recebeu uma bolsa de estudos do Conselho Britânico para desenvolver estudos avançados de composição com o compositor australiano Peter Sculthorpe, no curso de verão de Dartington, onde foram executadas a s suas obras Música para Flávia (1991/92) para piano solo, pelo pianista australiano Iain Quinn e, Terra Queimada (1993), para clarineta, vln.,vlc. e piano, pelo Murphy Quartet.
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Com
Haroldo de Campos. Ouro Preto, 1990.
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A partir de 1994, passou a residir em Curitiba PR depois de um convite da Fundação Cultural. Por encomenda da Camerata Antiqua de Curitiba, realizou a reconstituição do Ofício de Domingo de Ramos (1782), de José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (Vila do Príncipe do Serro Frio, atual Serro MG, 1746? - 1805). Logo no ano seguinte, fez uma nova orquestração do Te Deum, de Luís Álvares Pinto (Recife PE, 1719 - 1789), para ser gravado no CD comemorativo dos 20 anos da Camerata Antiqua. Este trabalho foi realizado com a colaboração de seu aluno Ricardo Bernardes. Ainda em 1994, entrou para a Escola de Música e Belas Artes do Paraná, onde leciona música brasileira, música do séc, XX, orquestração e composição. Realizou seminários sobre a música colonial brasileira na Universidade Nova de Lisboa, convidado pelo musicólogo português Manuel Carlos de Brito. Sentindo necessidade de uma formação acadêmica mais consistente para poder prosseguir com a sua carreira no magistério superior, entrou para o mestrado em comunicação semiótica da PUC - SP, em 94, tendo sido recomendado para ingresso direto no programa de doutoramento em 1996.
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Com
os compositores Ib Norholm (Dinamarca) e Peter Sculthorpe (Austrália).
Dartington,
Inglaterra, 1993.
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Em 1995, acompanhou o Grupo Novo Horizonte de S. Paulo numa turnê à Dinamarca, que apresentou o seu Concerto para Clarone, Percussão e Piano (1994) em cinco ocasiões diferentes nas cidades de Odense, Aarhus, Copenhagen e Kolding. Nesta ocasião, proferiu ainda conferências sobre música brasileira erudita dos sec. XIX e XX, em algumas instituições dinamarquesas. O Concerto para Clarone, foi ainda apresentado na XIª Bienal de Música Contemporânea Brasileira, e em 1996, lançado no CD "brasil! new music! vol. III". Em Agosto de 95, teve sua obra Icnocuícatl (1995) para orquestra de câmera estreada na abertura do Festival música nova de Santos/SP, pelos grupos Ensemble Nord, da Dinamarca e, Novo Horizonte, combinados sob a regência de G. Griffiths. Em 1996, participou do festival Summartónar 96, nas Ilhas Faroé, possessão dinamarquesa, onde teve a obra "Na Perfurada Luz, Em Plano Austero", quarteto de cordas nº 1 (1992), estreada pelo quarteto Moyzes, de Bratislava, República da Eslováquia, assim como a obra Revoada (1994) para flauta doce, pela flautista dinamarquesa HelleKristensen, que incluiu a peça no seu CD "Nocturnal Birds", lançado também neste ano.
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Com
o compositor
Faroês, Sunleif Rassmussen e o pianista Dinamarquês Sunne
Sundqvist, nos estúdios da Radio 2 em Copenhagen, Dinamarca (1995).
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Em agosto de 1996, a obra Finismundo (1991/92), moteto épico a solo para soprano e conjunto instrumental sobre texto homônimo de Haroldo de Campos foi apresentado no festival música nova de Santos e, posteriormente gravado pelo grupo Novo Horizonte, tendo como solista Simone Foltran, para o CD "brasil! new music! vol. IV". A obra Sabra (1983) para oboé e piano foi incluida no CD "Música Brasileira para Sopros e Piano", da série RioArte Digital. Em outubro de 1996, no Vº Encompor, Porto Alegre RS, foi estreada a obra Umbrae et Lumen (1993/94) para flautas, saxofones, fagote, trombones, violino e contrabaixo clarinetas, , pelo grupo Cantus Firmus, sob a regência de Pedro Boéssio.
Em maio de 1997, foi a vez da obra, Imagens Rupestres (1996/97) para flautas, violoncelo e piano, ser apresentada pelo George Crumb Trio, de Linz, Áustria, no castelo Zell an der Pram, no norte da Áustria, em maio. Em julho, o Sexteto para piano e quinteto de sopros (1997), foi estreado pelo Ensemble Rio no Centro Cultural do Banco do Brasil, na série "Estréias Brasileiras". Em agosto, o Concerto para Piano e Orquestra (1997) foi apresentado no VIIº Festival de Música de Inverno de Campos, RJ, pela pianista Maria Teresa Madeira e pela orquestra do festival sob a regência de Sérgio Dias. Em setembro, esteve no Festival de música antiga de Utrecht, Holanda, onde proferiu palestra sobre a música antiga brasileira, a convite da organização do festival e da rádio holandesa. Em outubro, a Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP), organizou um concerto exclusivamente com as obras do compositor onde foram apresentadas as obras, Convivium (1986), composição eletroacústica, Ária para flauta solo (1981), Sonata I (1979, rev, 1984) para piano solo e Solilóquio (1995) para sax-tenor solo. Em novembro, a obra Lumen de Lumine (1996/97), concerto de câmara para violoncelo e 5 instrumentistas, foi estreada na XIIª Bienal de Música Brasileira Contemporânea e posteriormente, apresentada em Curitiba e nas cidades dinamarquesas de Aalborg e Copenhagen. Ainda em Novembro, teve as 5 Epígrafes para trompa e orquestra de cordas (1996), estreada pela orquestra de câmara da cidade de Curitiba, com Leandro Teixeira como solista, sob a regência de Lutero Rodrigues.
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Com
o Quarteto Moyzes em Bratislava, República Eslovaca
(1997)
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A partir de fevereiro de 98, passou a colaborar em caráter permanente, com a Rádio Educativa do Paraná produzindo programas de música do século XX e música erudita brasileira. O programa "Música do Sec.XX" recebeu em março, o prêmio "Saul Trumpet 97", como melhor programa radiofônico do Paraná. Duas obras foram escritas neste período: "Assimetrias "(1997/98) para violão solo e Sonata II (1998) para piano solo, dedicada a Leilah Paiva.
Passou a interessar-se pela poesia simbolista brasileira em 98, especialmente aquela produzida no Paraná. Este interesse foi o ponto de partida para a criação de uma série de obras sugeridas pelo universo do sul do Brasil, especialmente de Curitiba, em contraste com o mundo setecentista representado pela paisagem de Ouro Preto.
Várias obras foram planejadas para os próximos anos tendo a poesia simbolista como ponto de partida considerando inclusive, o fato de que este movimento estava em plena atividade no início do século XX.
A primeira obra, foi o ciclo de canções "Austrais", 4 canções sobre poemas de Cruz e Sousa, em homenagem ao centenário da morte do poeta. Em seguida, veio "No Silêncio das Noites Estreladas", para conjunto de percussão (9 instrumentistas), dedicada ao PIAP (Orquestra de Percussão do IAP/Unesp), que estreou a obra no Teatro São Pedro, São Paulo, em agosto de 99.
Em 98, também foram lançados os CDs "brasil! new music! vol.IV", com a obra "Finismundo"(1992/96), pela EDUC (Ed. da PUC-SP) e; "Quartetos de Cordas", com a obra "Na Perfurada Luz, em Plano Austero, quarteto de cordas no.1"(1992/93), interpretada pelo Quarteto Moyzes, Eslováquia, pela PAULUS gravadora. Neste ano, o violinista Atli Ellendersen executou a sua "Aluminium Sonata"(1985), no Summartónar 98, nas Ilhas Faroé. Outras execuções de obras suas em 98 foram, "Música para Flávia"(1991/92), pela pianista Lidia Bazarian, em várias ocasiões em São Paulo, Santos e Poços de Caldas, inclusive no Festival Música Nova e; "Sonata I"(1979,rev.84) pela pianista Leilah Paiva, no Memorial da Cidade de Curitiba.
No ano de 1999, mais duas importantes composições foram estreadas - a ópera de câmera "Sarapalha", sobre texto de Guimarães Rosa e, a obra para orquestra "Sicut erat in Principio" , estréia mundial no Teatro Guaíra, executada pela Orquestra Sinfônica do Paraná, sob a regência de Roberto Duarte. No final do ano, esteve na Áustria onde realizou conferência sobre sua obra no Brucknerkonservatorium, em Linz e, teve a sua obra "Icnocuícatl" (1995,rev.98) apresentada num grande concerto realizado na Brucknerhaus.
A Cantata "Turris Eburnea" (1999/2000), para solistas, coro e orquestra de câmera, foi composta especialmente para os 25 anos da Camerata Antiqua de Curitiba. Esta obra, baseada em textos de vários poetas paranaenses, foi apresentada em duas ocasiões pela Camerata em 2000. Neste ano, a Orquestra Sinfônica do Paraná apresentou o Concerto para Piano e Orquestra (1997), tendo como solista Analaura de Souza Pinto e regente Roberto Duarte. A obra "Aethra I"(1987) foi apresentada em Montreal, Canadá, em junho e, em Curitiba e no Rio de Janeiro, em agosto, por Gabriel Prynn, violoncelo e André Pristic, piano.
Em janeiro de 2001, transferiu-se para a UFPR para trabalhar junto à Orquestra da Universidade, na PROEC. Foram produzidas neste ano as obras "Aethra III"(2000/01) para violino solo com piano obbligato, estreada em setembro por Atli Ellendersen e Leilah Paiva, "Concerto para Oboé e Orquestra de Cordas", a trilha sonora para o filme "Fogo sobre Cristal - Um Diário Antártico", de Frederico Fullgraff, "Espaços Imaginários" para Violino, Violoncelo e Piano e, "Concerto no. 2 para Flauta e Orquestra de Câmera", especialmente para a Orquestra de Câmera da UFPR. Em novembro, o trio Fibonacci, de Montreal, estreou a obra "Espaços Imaginários" numa excursão realizada no Brasil, nas cidades de São Paulo, Piracicaba, Curitiba, São Leopoldo, Porto Alegre, Brasília e Belo Horizonte. A obra foi especialmente dedicada ao trio que deverá incluí-la na sua turnê ao Japão e à China, em 2002.
O compositor é membro da GEMA, associação alemã de direitos autorais, representada no Brasil pela UBC e Fermata do Brasil e editado pelas firmas Ponteio Publishing, Inc., Nova York , Goldberg Edições Musicais, Porto Alegre.
Desde fevereiro de 2002 é Presidente da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea, seção Brasileira da ISCM (Intenational Society of Contemporary Music).
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Trabalhando
em casa, Curitiba (2002)
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